12.10.15

Criança




Criança


Rua antiga
Que não morre.

Descortino
não dorme.

Num átimo, uma engenhoca,
faz-se folguedo e
brinco.

Quando não,
tem-se as palavras.

Um dia longo
Se encurta numa
travessura e
inaugura
a rua nova.

Os netos
apimentam
o coração.
A gente não se atenta 
sexagenário.

E a Rua Antiga
permanece.


Waldir segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Dia da Criança

Soneto oco - Carlos Pena Filho

Soneto oco 


Carlos Pena Filho 


Neste papel levanta­se um soneto, 
de lembranças antigas sustentado, 
pássaro de museu, bicho empalhado, 
madeira apodrecida de coreto. 

De tempo e tempo e tempo 
alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto. 
E talvez seja apenas um soneto 
de si mesmo nascido e organizado.

Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem
eu,
pois não sei como foi arquitetado 
e nem me lembro quando apareceu.


Lembranças são lembranças, mesmo
pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.