27.12.12

Segredos Inconfessáveis será o livro lançado hoje por Douglas de Oliveira

 

Lanç-Segredos Inconfessáveis0001

Hoje é dia de alegria com esse lançamento que vem da lavra de Douglas de Oliveira. Bastante jovem, ele desponta na literatura com o seu primeiro livro de caráter imaginativo, entremeado por uma instigante tessitura capaz de prender o leitor até o fim. Não é habitual encontrarmos pessoas cujo início na arte literária se dê através da ficção, especialmente o romance. Quando nos deparamos com o despontar desse dom, numa pessoa que estreia tão bem, não podemos esquecer-nos da importância da sua formação e tenacidade. Por essa razão sentimos quase o dever de dizer aos quatro ventos: leiam, adquiram livros, os tomem de empréstimo, divulguem, prestigiem, facilitem a existência e o entusiasmo de quem escreve e de quem lê.

Não importa por qual meio ou mídia se revele um livro. Ele permanecerá livro, ou seja, um fustigador, um estimulador insubstituível que se fantasia em gêneros literários ou técnicos, para nos ocupar um encaixe insubstituível no cérebro e movimento no nosso jeito de entender o mundo.

 

Waldir Pedrosa Amorim

Por que é Natal?

 

 

image

Para que é Natal?

 

 

Uma vez por ano

Embalam-te sinos, luzes e canções.

Esmolas e presenteias.

Abraças e comes e bebes, te sentes honrado.

Louvas o armistício, festejas o indulto e o perdão.

Desejas um mundo mais humano, mas,

nada a ser mudado desde que mundo é mundo.

Reflete, consente entender o outro como irmão.

Num mundo irmão qualquer paradigma é mutável.

 

 

Waldir Pedrosa Amorim

Natal de 2012

6.12.12

28.11.12

Elizabeth Nery da Fonseca Belém + 33 Autorretratos Contemporâneos –Espaço Vitruvio - Vernissage

 

Para fortuna dos que amam a pintura, o ESPAÇO VITRVVIO, situado na Rua Vitrúvio – 71 Poço da Panela, em Recife, fone: 83- 32668463 estará realizando amanhã 28 de novembro de 2012 Quarta Feira o vernissage (inauguração de exposição de obras de arte) intitulado "33 Autorretratos Contemporâneos”, assinados pelo número correspondente de personagens femininas, artistas plásticas, que se permitiram uma autoconstrução pictórica de suas imagens/pessoas.

Devo dizer do privilégio de conhecer particularmente o trabalho de Elizabeth Nery da Fonseca Belém, que há anos nos revela o esmero, a elaboração e a preciosidade do seu traço, do seu verniz, do seu óleo e a deslumbrante leveza pueril de suas aquarelas. Não conheço o autorretrato que exporá, mas imagino o universo simbiótico da artista e psicanalista, no desafio de um auto-olhar criador. Coisas sublimes que a arte pode conceder aos viventes.

 

Print

27.11.12

Peças Musicais de Samuel Hulak Gravadas no youtube. Uma preciosidade.


Samuel Hulak é médico psiquiatra e psicanalista, além de ser um dos grandes nomes da Medicina  Psicossomática do Brasil e um dos fundadores e presidentes da Sociedade Brasileira de Medicina Psicossomática. Mas sua importância como intelectual transcende a medicina, tendo sido uma figura proeminente na história do Teatro de Amadores de Pernambuco. Um ser humano invejável, um esteta, um homem sensível, intuitivo se completam no seu engenho criativo e musical como compositor. Aqui duas demonstrações preciosas de suas músicas gravadas e compartilhadas no youtube, para sorte e alegria dos que o conhecem e sabem o quão econômico estou sendo ao descrevê-lo. Waldir Pedrosa Amorim


Negramente 

Composição de Samuel Hulak com arranjo de Nilson Lopes e interpretação da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música sob a regência de José Renato Accyoli. Circuito Sinfônico 2012 Teatro Santa Isabel - Recife - Pernambuco





Zarzuela 
 Composição de Samuel Hulak, apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música no Teatro de Santa Isabel, arranjo de Nilson Lopes e regência de José Renato Accyoli. Recife Pernambuco 2012







11.9.12

A Poeira dos Pequenos Segredos – Filme baseado no conto homônimo de Geraldo Maciel. (Entre nós eternamente Barreto)

 

A poeira dos pequenos segredos-filme

 

Waldir Pedrosa Amorim

Na quarta feira passada, dia 5 de setembro de 2012, fui lembrado por minha mulher, Fátima, que combináramos assistir a um filme baseado em um conto do nosso saudoso amigo Barreto, às nove e meia da noite no Cinespaço. Para lá fui, com minha alma nostálgica, reminiscente, teimosa em acatar a perda de quem tanto admirava por uma miríade de qualidades concentradas. Amigo especial, leitor ávido, apurado senso crítico, cidadão disposto, no seu domínio, a provocar o dialético eclodir do novo. Conhecedor de tantas coisas; um cozinheiro de mão cheia, inclusive. Aprendi a admirá-lo ainda mais no convívio aos sábados nas reuniões do Clube do Conto e na biblioteca em sua casa, que virava a Editora Manufatura, onde publiquei alguns livros meus.

Barreto era um delicado construtor de obras ficcionais reveladoras da sua intimidade com o universo humano e seus dramas existenciais arcaicos e permanentes. Seu esmero com a palavra, aliado ao universo quase pictórico de suas analogias e metáforas, nos conduzem até hoje ao embevecimento pelo seu estilo literário, enobrecedor da língua portuguesa. Navegava solto pela realidade dramática das gentes, em especial daquelas que pelo destino se assestam nas pequenas cidades interioranas e sertão. Paraibano de Nova Palmeira, manifestava o orgulho por suas origens, que por certo lhe calcaram a singular capacidade de trazer à escrita um cenário a um só tempo local e universal. Creio que sua cidade era a cidadela do seu sentir em todos os aspectos, de Professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal da Paraíba ao de constituinte com Fátima, sua mulher, da família que possuía. Certa feita confidenciou-me que planejava construir personagens em cenários mais urbanos, como parte do desafio de escritor e ficcionista.

Mas, retornemos ao filme A Poeira dos Pequenos Segredos. Adentro a casa repleta, deparo-me com Fátima de Barreto e seus filhos e lhes aceno. Aqui vou revelar que foi a primeira vez que pude encontrá-los, depois do falecimento do meu amigo. Marquei e remarquei o dia de visitá-los levando a minha solidariedade, único argumento que temos às mãos - e não consegui ir. Combinamos com nossos amigos comuns, Glória e Ronaldo, para que nos acompanhassem a aquela singela atitude de enfrentar as perdas necessárias. Falhamos. Comecei a acreditar que a maturidade tem me tornado medroso.

No cinema lotado, sentamo-nos próximos à tela, na indisponibilidade de melhor lugar. Fixei o olhar na imensa tela alva e sem imagens, aguardando que sobre esta se projetasse um novo mundo ficcional, baseado naquele outro meio de linguagem diversa, cujo ponto de partida foi o conto que há algum tempo não relera. Fizera bem em não me apressar a reavivá-lo na memória antes de assistir ao filme do diretor Bertrand Lira, com excepcionais interpretações de Nanego Lira, (Santiago) e Verônica Sousa (Otília).

Saí com a alma leve, não mais alva como a tela com os acréscimos auferidos pelo belo. O filme é tão bom quanto o conto. Destaque-se, além da interpretação, a fotografia, a trilha sonora e o desenho de som. Parabéns a Bertrand Lira e toda equipe que deu vida ao seu justo projeto de homenagear Barreto.

Curiosamente, para meu espanto, ao sair da sala de exibição, percorri com o olhar as cadeiras e escadas da sala, em busca de algum conhecido; na última fila, no canto esquerdo, vi Barreto, com seu sorriso franco e o olhar de satisfação. No saguão, alguns amigos comentavam sem perceber, que se ali estivesse ele, por certo estaria bastante contente.

 

Escrito no sábado, 8 de setembro de 2012

29.7.12

Poucos querem o amor. Uma resenha de Viviane C. Moreira para o Amálgama.


Claro que vou transcrever, repercutir, compartilhar e citar o link e a fonte, dessa resenha adorável sobre o filme A delicadeza do Amor  de David e Stéphane Foenkinos, que, sem dúvida, quero assistir logo, logo. Nada posso falar do filme. Meu intento é dizer da doce beleza e ternura transmitida pelo texto, assaz bem escrito, por Viviane. Ler a resenha já dá contentamento. Falar do amor, esse sentimento milenarmente, tão banalizado, surrado, com propriedade, delicadeza e segurança, nos assegura que o filme seja preliminarmente bom. Isso  comprova como a leitura pode nos conduzir a múltiplos deleites.

A delicadeza do amor. ( filme de David e Stéphane Foenkinos)

 

A atriz Audrey Tautou, que também foi Chanel e Amélie Poulain, empresta sua feminilidade à delicada e determinada Nathalie.


por Viviane C. Moreira (27/07/2012)
em Cinema, Pessoalidade
Fonte: Amálgama
 
Para quem gosta de saber a moral da história, antes mesmo de ir ao cinema, aviso que esta pode ser a mensagem do filme A delicadeza do amor. Por que tantos parecem querer o amor? Por que poucos realmente o querem? O filme de David e Stéphane Foenkinos não explica, embora retrate com beleza, graça e encantamento a delicadeza do amor. Segundo os irmãos Foenkinos, o filme é “uma comédia romântica para os homens”.
Uma mulher que faz o luto de um grande amor comove-nos com sua dor. De amor. Dor de amor perdido. Um amor lhe fora tomado pela morte. Subitamente. O seu belo amor, seu marido, saiu de casa pra correr, bem disposto, em um dia como em outro qualquer. Mais tarde, ela recebeu um telefonema e imediatamente saiu de casa rumo ao hospital, onde seu amado respirava com a ajuda de aparelhos, morrendo logo depois. Assim, ela começou viver a dor do luto. Não hesitamos em acompanhá-la na sua dor. E com ela seguimos, lado a lado.
A atriz Audrey Tautou, que também foi Chanel e Amélie Poulain, empresta sua feminilidade à delicada e determinada Nathalie. A atriz que nos leva ao cinema para assistir ao drama da personagem Nathalie, mais uma vez conta uma boa história.
Vemos uma mulher fazer o luto do seu grande amor, sem se desviar da dor imposta pelo luto. Ela topa enfrentar essa dor. Não joga com a dor. Não se corrompe. É desejada por um homem, seu chefe, por quem não tem interesse algum, como mulher. É cortejada por esse homem a quem ela diz não desejá-lo. O que havia em Nathalie que teria feito esse homem apaixonar-se por ela? Seria o seu sofrimento? A dor da perda do seu amor? Esta dor teria acendido nesse homem o desejo de ser amado? Afinal, o que significava o sofrimento de Nathalie? Nem a secretária interessava ao chefe, mas somente a mulher que perdeu o seu amor, a sedutora Nathalie, tão arrebatadora quanto Yoko Ono, como ele diz.
E assim, Nathalie prossegue na sua promessa de partir a dor do luto, quando em um dia, um dia comum, mas não um dia qualquer, ela beija um desconhecido; um colega de trabalho que entra na sala do seu escritório. Um estranho. Um homem diferente. Estrangeiro. Ela o beija demoradamente. Um beijo com desejo. Ardente. Beijo que incendeia. Beijo de quem fantasia o beijo. Beijo de quem beija com o corpo e a alma. E… Ela não sabe por que fez isso. Sabe que fez. E fez. O homem que teve um superbeijo roubado não sabe por que foi beijado, mas sabe que foi – e como foi.
Qual o segredo desse beijo? Por que esse beijo mexeu tanto com o Markus? O homem que foi beijado à toa defende o mistério desse beijo. Não quer que o beijo seja tratado como assédio. Não quer saber desse papo de assédio. O que importa pra ele: o beijo de Nathalie.
Que nome dar ao que estava rolando entre eles, sem terem ainda um caso? (Eles sentiam a presença desse nome – uma visita que chegou sem avisar…) Que atração era essa de Nathalie pelo estrangeiro “feio e insignificante”? O que ele tinha que o chefe não tinha? Seria só atração o que despertava ciúmes e inveja nos amigos dela?
Enquanto o clima entre Nathalie e Markus provoca estranheza, eles deixam o amor chegar… Sem alarde. Sem as conveniências que propiciam o conforto de uma vida previsível. Sem a segurança que inspira um modelo de vida em que se pensa ter controle sobre ela. Sem o desperdício de tempo com o que não interessa ao amor. E de mansinho, o amor foi se instalando em cada um, embalado em presentes simbólicos, em confidências trocadas com sensibilidade, sinceridade e cumplicidade. Com a espontaneidade de quem se revela com toda a falta de jeito própria do amor inesperado.
Nathalie e Markus sentiram o amor chegar. Deram ao visitante uma terna acolhida. Tornaram-no hóspede. O amor, não raro, é dado pelo acaso. Pode acontecer quando menos se espera. Quando não se acredita mais que ele possa chegar. Quando se pensa já tê-lo vivido. Ele pode chegar estranho até. Mas o acaso não dispensa o amor da exigência. O amor é exigente. E faz suas exigências. Para uns, ele pode ser um exagero. Para outros, uma presença que exige delicadeza – amor, pois este é o nome.

26.7.12

Recordação Indelével

 

Lembro Fernando sim,

Um rapaz sério 

E sossegado.

Conveniente 

E ético.

Lutador pela sua vida,

Na vida de outros

Tantos, que não saberia contar.

Transplantado,

Prevaleceu

O enfrentamento

Das abissais dificuldades,

[não bastassem as das doenças]

Para se sobreviver,

Sem vida encurtada

Pela hepatite C.

Por certo erigiu conquistas,

E nada foi, nem será em vão!

Seja Fernando lembrança,

É desfalque,

É memória inapagável:

Um cidadão crente,

Na força da união,

Cujo movimento

Determina a vida.

Rememoro em Fernando,

Fernandos muitos,

Com apreço e extenso respeito.

Waldir Pedrosa Amorim

A virgindade das palavras

 

Manoel de Barros **

Os governos mais sábios deveriam contratar os poetas para o trabalho de restituir a virgindade a certas palavras ou expressões, que estão morrendo cariadas, corroídas pelo uso em clichés. Só os poetas podem salvar o idioma da esclerose. Além disso a poesia tem a função de pregar a prática da infância entre os homens.

Se for para tirar gosto poético vai bem perverter a linguagem. Não bastam as licenças poéticas, é preciso ir até às licenciosidades. Temos de molecar o idioma para que ele não morra de clichés. Subverter a sintaxe até à castidade: isto quer dizer: até obter um texto casto. Um texto virgem que o tempo e o homem ainda não tenham espolegado.

O nosso paladar de ler anda com tédio. É preciso propor novos enlaces para as palavras. Injectar insanidade nos verbos para que transmitam aos nomes seus delírios. Há que se encontrar a primeira vez de uma frase para ser-se poeta nela. Mas isso é tão antigo como menino mijar na parede. Só que foi dito de outra maneira.

Se você prende uma água, ela escapará pelas frinchas. Se você tirar de um ser a liberdade, ele escapará por metáforas. No internato, longe de casa, eu não sabia o que fazer e fiz um aparelho de ser inútil. E comecei a brincar com ele. Um padre disse: - Não presta para nada; há-de ser poeta!

20/06/1997

Sobre o Autor

** Poeta e escritor brasileiro nascido em Corumbá, Mato Grosso, em 1916. Autor, entre outros, do "Livro das Ignorâncias", "Livro sobre Nada" e "Gramática Expositiva do Chão" (Civilização Brasileira, 1990) – de onde foi adaptado este texto.

Fonte: Ciberdúvidas

16.7.12

O teu riso

Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

26.4.12

Morre aos 95 anos o poeta Daniel Lima. Autor de “Poemas”, obra única, vencedora do prêmio Al­phonso Guimarães, pela Fundação Biblioteca Nacional em 2011

Morre, aos 95 anos, Padre Daniel Lima

17/04/2012 02:00 - HUGO VIANA

Faleceu na madrugada do sábado (14-04-2012) para o domingo o escritor pernambucano Daniel Lima, aos 95 anos. Segundo amigos próximos, como a professora e escritora Luzilá Gonçalves Ferreira, o padre estava quase sempre doente, recuperando-se de pneumonia. “Ele passou um tempo fraquinho, melhorou e pensamos que ele iria sair dessa, mas piorou novamente. Ele morreu suavemente”, descreve.
Luzilá foi a responsável por tor­nar público o trabalho do escri­tor. “Ele foi meu professor duran­te muito tempo. Ele era mui­to ciumento, não queria pu­blicar seus escritos. Então eu consegui roubar seus textos. Pedi emprestado e não devolvi. Mostrei a ele apenas quando o livro estava quase pronto”, explica a professora, sobre o surgimento da obra “Poemas” (Cepe, 416 pá­ginas, R$ 45), que venceu, no ano passado, o prêmio nacional poesia Al­phonso Guimarães, pela Fundação Biblioteca Nacional.
“A obra dele é muito importante”, ressalta Luzilá. “Sua poesia é muito profunda e séria, e ao mesmo tempo consegue ser divertida e leve. É uma pe­na que ele não foi mais publica­do em vida”, comenta a escri­tora, que revela que a Cepe tem planos para editar agora um livro de sonetos de Daniel. “Se­ria no aniversário dele, que é no dia 2 de maio. Neste momento estou escrevendo a apresentação. O soneto é uma forma fixa, formal, muito rígida. Mas quando você lê o soneto de Daniel nem se dá conta disso: é muito fluido, escorre”, reflete Luzilá.
Daniel Lima deixou ainda, se­gundo a professora, 14 livros inéditos de filosofia e teologia, além de outros nove de poesia. A Cepe deve publicar es­ses poe­mas, enquanto o depar­ta­mento de comunicação da UFPE planeja manter um acervo digital da obra de Daniel. “Ele di­zia que a vida é uma divertida travessia. Ele era muito mole­que, sempre dizia uma palavra engraçada”, diz Luzilá.

Fonte - Folha de Pernambuco

16.2.12

smile - nat king cole

Não assustes a vida. Daniel Lima

Não assustes a vida. Anda de leve,
fala brando e baixinho; e se não és feliz,
            finge que o és;
pois, mais que as coisas mesmas e a verdade,
            são as palavras que a perturbam,
            é a aparência que a fere.

            Inventa, pois, sonhos,
            mente-te que és feliz
            cria-te outro e falso,
o que quiseres ser, o que serias,
            mas feliz.

Anda de leve, fala brando,
            não assustes a vida com a verdade
                        e acabarás feliz.