28.10.10

Niemeyer, nosso arquiteto.

Os sóis não lhe ultrapassam

    [menino de cento e dois anos]
você se ombreou com o tempo,
sua palavra, sua dignidade,
amor às gentes,
traços do eterno
sempre foi rega,
onde o chão esturricou.

Waldir Pedrosa Amorim

15.10.10

Julgamento em Notre Dame - Mais um primor ficcional do escritor Heitor Rosa.



















Receber um presente é sempre algo prazeroso. Imaginem vocês, se lhes chega às mãos um novo livro de um escritor por quem se nutre admiração, por se haver lido, creio, que a maior parte de a sua obra.
Eis que um correio, diverso do eletrônico, me propõe às mãos, aos olhos e à inteligência, um volume de 245 páginas, editado pela Livro Novo, obra do meu querido amigo e até médico como eu, Heitor Rosa. Já o aguardara, como promessa pronunciada em nossos encontros, pelos corredores nada médicos, das nossas conversas, durante vários congressos de hepatologia.
Certa vez Heitor me confidenciara ter viajado a Paris e seus arredores, lá se enclausurado na pesquisa de uma ficção histórica remontando a medicina no século XVI. Conhecedor do seu rigor metodológico, que respinga nos fóruns médicos e docentes, da sua imaginação interpretativa e criadora sobre a realidade e do seu estilo saboroso de escrever, foi difícil conter a fase cefálica da minha digestão, sem salivar, ao desembrulhar o pacote que me enviara com a espirituosa dedicatória: lembrança da minha viagem na idade média, para ser lida na meia idade.
Não me cabe fazer qualquer crítica literária sobre o belo livro Julgamento em Notre Dame - A saga de uma médica do Século XIV. Para que se preparem para o desejo de experimentar os seus deleites, dizer que se situa num tempo, em que as mulheres eram proibidas de exercer a medicina. A saga feminina, desenrolada na idade média, e, abordando a arte e a ciência do cuidado do outro, há de contaminar o leitor mais exigente, não com uma obra de per se apenas palatável, como várias obras ficcionais categorizadas como romance latu sensu.
A ficção histórica presente na obra remete-nos ao aprendizado da própria história, através, nada menos que, o livro vivo que a concebeu de modo responsável e profundo; o seu autor. Roubo as palavras de Rubem Alves, na contracapa do livro: Eu sempre sonhei que a história deveria ser ensinada através da literatura. Ao ficcionista de boa lavra, este pensamento complementa o dito por Oscar Wilde: A única coisa que devemos à história é a tarefa de reescrevê-la. Ao ler a boa ficção histórica, percebemos por meio dos sentidos, estarmos adentrando a história escrita por metonímia. Assim a arte, também na literatura; gotejando atemporalidade ao passado reducionista.
Nutro uma especial predileção pelo filósofo Walter Benjamim, a quem recomendaria aos contemporâneos, alguma leitura da sua densa obra. Pinço esse trecho, que tudo tem com o antes mencionado:
Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi
respirado antes? Não existem, nas vozes que
escutamos, ecos das vozes que emudeceram? Não
têm as mulheres que cortejamos, irmãs, que elas não
chegaram a conhecer? Se é assim, existe um encontro
marcado entre as gerações precedentes e a nossa.
Fico feliz e desejo repartir com outros, o contentamento, que, ler um bom livro encerra. Vida e arte frutífera, ao médico e também ficcionista Heitor Rosa.  

Neste mês a Orquestra Sinfônica de Sergipe realiza mais um concerto na Catedral Metropolitana de Aracaju.

SÉRIE CONCERTOS NA CATEDRAL

Neste mês a Orquestra Sinfônica de Sergipe realiza mais um concerto na Catedral Metropolitana de Aracaju. Este evento faz parte de uma série realizada em parceria com a Arquidiocese e a Secretaria de Estado da Cultura. Essas apresentações começaram em 2007, com a celebração da Missa da Coroação de W. A. Mozart. Desde então, em todos os anos são realizados em média cinco apresentações na Catedral e todos os sergipanos são presenteados com concertos inesquecíveis, dentro daquela que se tornou uma referência arquitetônica e turística na cidade. Grandes personagens da música se apresentaram nessa igreja com a ORSSE, Helder Trefzger, Santiago Aldana, Marília Teixeira e jovens solistas da nossa orquestra.
Para o maestro Guilherme Mannis, diretor artístico e regente titular da ORSSE, a realização desses concertos na Catedral é sempre uma experiência única para a formação. “A acústica é diferente, mais reverberante, o que faz com que os músicos tenham de se adaptar rapidamente a um cenário musical diferente do Teatro Tobias Barreto. Além disso, o ambiente de resplendor da Catedral fornece ao concerto um aspecto especial. Todas as nossas apresentações nesse espaço foram marcantes e inesquecíveis”, lembra.
E para este concerto a orquestra traz um repertório arrebatador, cheio de sentimentos e emoções, que vão do apaixonado Wagner, em Idílio de Siegfried, composto como presente de aniversário à sua esposa, ao brincalhão Mozart na abertura da ópera Cosí Fan Tutte, culminando no heróico e triunfante Tchaikovsky, cuja Sinfonia de número 2 também conhecida como Pequena Rússia, está cheia de temas folclóricos russos e passagens vibrantes, de difícil execução, que será brilhantemente apresentada pela Orsse.
A regência da Orquestra está a cargo do seu titular, maestro Guilherme Mannis.
A entrada é franca.
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Série Concertos na Catedral
Catedral Metropolitana de Aracaju
Sexta feira, 08/10/2010 19h
Entrada Franca
GUILHERME MANNIS, regente
Programa:                                                                      
Wolfgang Amadeus MOZART
Cosí fan Tutte KV 588
Abertura

Richard WAGNER
O Idílio de Siegfried

Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY
Sinfonia n° 2 “Pequena Rússia” Op. 17
I.             Andante sostenuto – Allegro vivo
II.            Andantino marziale, quasi moderato
III.          Scherzo — Allegro molto vivace
IV.          Finale — Moderato assai – Allegro vivo

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Anabel Vieira / Salete Martins / Adriana Lima/ Dirlene Almeida
Assessoria de Produção - ORSSE
Ano 2010 - 4ª Temporada
55 79 3179 1480
55 79 3179-1491



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Anabel Vieira / Salete Martins / Adriana Lima/ Dirlene Almeida
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14.10.10

Diatribe Paulistana - do Blog do Mino


Talvez alguns se perguntem por qual razão reproduzo esta postagem de 2008, que colho do Blog do Mino Carta. Minha resposta sincera é que casualmente, retornei ontem da capital paulista, com uma nostalgia que encontrou guarida nessa reflexão, escrita com a precisão micro-cirúrgica peculiar a este editor de Carta Capital, que, aprendi a admirar através dos vários semanários, que como Midas, fez ter sucesso entre leitores ávidos por boa qualidade da informação e da opinião jornalística. Hoje, das revistas semanais sérias, recorro à sua Carta Capital, como a única fonte que preserva o respeito pelo ledor. Todos sabem que Mino Carta vai além de ser um grande jornalista, é dono de um fervor invejável pela cultura, um artista plástico importante e dou-me ao direito de considerá-lo um paulistano e brasileiro patriota, no único sentido que esta acepção deveria encerrar. Retornei à minha morada em João Pessoa, ontem, nostálgico sim, com a São Paulo que outrora habitei e vez por outra revisito. Moram na maioria das razões do seu texto, as mesmas razões que me desalentam.




Diatribe paulistana

Blog do Mino: "18/03/2008 13:27

Meu caro Antonio Carlos Viard, São Paulo é o recanto mais reacionário do Brasil, concordo plenamente. Sou um genovês paulistano porque de certa forma me acostumei. Mas a cidade mudou demais, aquela que conheci em agosto de 1946 era muito diferente, embora a semeadura da arrogância, a retórica da “locomotiva do Brasil” e da “metrópole que mais cresce no mundo” começassem a deslanchar. Eu era muito menino, não percebi. Um livro muito interessante, “Orfeu Extático na Metrópole”, de Nicolau Sevcenko, conta essa história e localiza o momento em que a terra das grandes greves organizadas pelos anarquistas e pelos socialistas sucumbiu diante da prepotência dos senhores de café e da indústria nascente. Início dos anos 20. Além do mais, São Paulo é feia, cada vez mais feia, e monstruosamente desigual. O atual prefeito Kassab esmera-se para tirar os postes da Oscar Freire, a rua das grifes, ou de refazer as calçadas da Avenida Paulista, enquanto a periferia, e até áreas menos plebéias, não têm esgoto e galerias de águas pluviais. Sem contar a presença avassaladora de um esgoto ao ar livre representado pelos rios Pinheiros e Tietê. De caso pensado, os donos do poder paulistano cuidaram de racionar os espaços públicos até a penúria absoluta. Houve tempo em que os habitantes iam ao aeroporto de Congonhas e, deleitados, entregavam-se à sublime diversão proporcionada por aviões que pousam e levantam vôo. Hoje vão aos shoppings, movidos pela sanha consumista, ignaros e manipulados, a desconhecerem a importância da praça onde o povo discute e enfrenta os problemas coletivos. E os senhores, cheios de empáfia provinciana na exposição de falsos refinamentos? Freqüentam a Daslu e a Expand, reúnem-se em happy hours clangorosos e pelos restaurantes de uma ridícula “capital gastronômica do mundo” onde é muito difícil comer bem, e pronunciam frases feitas, lugares comuns e banalidades, aprendidos na leitura do Estadão, da Folha, da Veja e de Caras.
Fonte: http://blogdomino.blig.ig.com.br/2008/03/diatribe-paulistana.html

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