25.12.10

Bia e Bela - Natal em nós.



 


Eu sei
era noite de lua
um céu de verão
andava repleto de estrelas
o vento morno, acolhedor,
tangia a pele em carícias.
O Dezembro,
afeito ao congraçamento
entre as pessoas, prosseguia
mesmo para aquelas esquecidas
de tomar goles da afeição
às gentes de outras tribos.

 
Eu sei
do sabor de família
invasor do meu peito
exacerbando a melancolia
nos dezembros,
onde nunca vi os desconhecidos,
os humildes,
tratados verdadeiramente por irmãos.

 
Eu sei
da cidade iluminada,
da árvore de natal, da ceia, do champanhe,
do alvoroço das ruas, das mensagens
e das crianças maltrapilhas
soltas nas campinas de asfalto quente
e noites frias
mendigando espórtulas
nos semáforos.

 
Sei do formigueiro humano,
dos casebres que não vejo,
nem sinto o odor de urina,
da inhaca das roupas puídas,
da coçadura das lêndeas e piolhos,
do vácuo do estômago
e do desejo, da cobiça
saltando das vitrines submersas.

 
Eu sei
não se esmaecerá em mim,
nem cirurgicamente, nem com entorpecentes,
a dor desse sentir,
detonadora
dos ideais de modificar
a dura realidade humana;
bem conheço o peso
dos ideais sobre mim
da longeva sensibilidade
aprendida e, burilada
pelo cinzel das horas
que cedo me rasgaram
a inocência.

 
Deste dezembro em chamas,
deste dezembro em verde de esperança,
ganhei mais uma netinha,
e eis que me invade a alma,
Isabela,
no vigésimo primeiro dia,
num doce dezembro
que já se fizera particular,
desde o abril de Bia, no ano passado.
Há um ano e oito meses
se me estabeleceu
uma nova infância,
no dom do avô sensível,
agora redobrado.
Amadas, acolhidas
por Paulo, meu filho e Juliana sua mulher, há pouco,
a recém-nata e doce, Bela;
por Pedro, meu filho e Deanny sua mulher, há mais de um ano,
a saltitante e meiga Bia.
E assim, bem sei,
tivesse eu de morrer agora
e, sei que tão cedo morro,
sentiria a falta de não vislumbrar o dia,
do renascimento dito Natal,
por onde todas as crianças,
usufruíssem a humana prerrogativa
feita costume comezinho
do amor de Bia e de Bela.

 

 
Waldir Pedrosa, 24 de dezembro de 2010.

29.11.10

I SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO DA PARAIBA

20 A 28 DE NOVEMBRO DE 2010

ESPAÇO CULTURAL JOSÉ LINS DO REGO

JOÃO PESSOA/PB



PROGRAMAÇÃO

ABERTURA OFICIAL - palestra com José Castilho –

PNLL – Plano Nacional do Livro e Leitura

Local: Cine Bangüê

Dia: 20/11 – SÁBADO

Hora: 10h

SALÃO  INTERNACIONAL DO LIVRO

Local: Praça do Povo

Horário: das 10 às 21 horas

Período: 20 a 28 de novembro

EXPOSIÇÕES

Local: Mezanino 4

1)      EXPOSIÇÃO INTERATIVA (PAREDES POÉTICAS  SESC PB)

Local: Mezanino 3

2)      EXPOSIÇÃO MEMÓRIA E INFORMAÇÃO NO ESPAÇO CULTURAL

FÓRUM PARAIBANO DO LIVRO, LEITURA E BIBLIOTECAS.

Local: Teatro Paulo Pontes

Horário: das 9 às 17 horas

Período: 22 e 23 de novembro

Presença de Fabiano dos Santos – PNLL

SEMINÁRIO DE ACESSIBILIDADE DA PARAIBA

Local: Teatro Paulo Pontes

Horário: das 9 às 17 horas

Período: 24 e 25 de novembro

ENCONTRO DE CORDELISTAS

Local: Teatro de Arena

Horário: 15 horas

Período: 20 e 27 de novembro

SARAU PARAIBANO / LANÇAMENTO DE LIVROS

Horário: 10horas

Local: Teatro de Arena

Apresentação: Linaldo Guedes

Dia:23 de novembro

Palestrante:      Balila Palmeira "Os Teatros da Paraíba"

 Joacil de Brito "O livro na história"

Dia:24 de novembro

Palestrante: Severino Celestino da Silva "O Evangelho e o Cristianismo Primitivo"

Dia:25 de novembro

Palestrante:     Neide Medeiros Lançamento: "Memória de Leitura na Infância"

Lilian Paschoalin Histórias de "mulherzinha"

Dia:26 de novembro

Palestrante:     Hildeberto Barbosa Filho Lançamento: "Livros sobre livros"

Sergio Castro Pinto "Humor e Ironia em Mario Quintana"

Dia:28 de novembro

Palestrante:     Maria das Graças

 Águia Mendes

FIQUE LIGADO

Horário: 15horas

Local: Teatro de Arena

Apresentação: Agda Aquino


Dia:21 de novembro

Palestrante:     Ferréz "O Hip Hop e a literatura na periferia"

Dia:23 de novembro

Palestrante:     Tania Zagury "Bullying"

Dia:23 de novembro

Palestrante:Jairo Rangel "Raquel de Queiroz"

Dia:25 de novembro

Palestrante:     Andre Vianco "Entre o Bem e o Mal"

Dia:26 de novembro

Palestrante:     Pasquale Cipro Neto "Nossa Lígua"

POÉTICA DA PALAVRA

Horário: 17horas

Local: Teatro de Arena

Apresentação: Linaldo Guedes

Dia:21 de novembro

Palestrante:     Fabrício Carpinejar

Dia:23 de novembro

Palestrante:     Arnaldo Antunes

Dia:24 de novembro

Palestrante:     Marina Colasanti

Dia:26 de novembro Ferreira Gular

Palestrante:     Bráulio Tavares

CAFÉ COM LETRAS

Horário: 19h30

Local: Teatro de Arena

Apresentação: Linaldo Guedes

Dia:20 de novembro

Palestrante: Silvério Pessoa

Dia:21 de novembro

Palestrante:     Mario Prata

Dia:23 de novembro

Palestrante:     Nélia Piñon

Dia:24 de novembro

Palestrante:     Galeno Amorim

Dia:25 de novembro

Palestrante:     Affonso Romano de Sant'Anna

Dia:26 de novembro

Palestrante:     Ignácio de Loyola

OFICINAS

1. Contação de História – Fundação Bradesco

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 21 – 22 -23 - 27

Local: Sala 4 – Mezanino 3

2. Contação de História – Poesia Infantil: uma nova maneira de ver o mundo

Prof. Dra. Neide Medeiros Santos

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 21

Local: Sala 4 – Mezanino 3

3. Contação de História – Entre fadas, príncipes e duendes: a arte de ler, ouvir e contar histórias

Alba Diniz

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 22

Local: Sala 4 – Mezanino 3

4. Contação de História – Na teia tênue do texto

Prof. Dra.Ivone Tavares de Lucena – PPGL/UFPB

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 24 

Local: Sala 4 – Mezanino 3

5.Despertar para o Libras

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 21 – 22

Local: Sala 5 – Mezanino 3

6.Criação e Produção Literária

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 22 -23 - 24

Local: Sala 6 – Mezanino 3

7.
Despertar para o Braille

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 22 -23 - 24

Local: Sala 6 – Mezanino 3

8.Competência em Informação - Interação no mundo virtual - navegando em uma nova realidade

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 24

Local: Sala 5 – Mezanino 3

9.Competência em Informação - wikipédia - construindo a maior enciclopédia do mundo

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 25

Local: Sala 5 – Mezanino 3

10.Competência em Informação - Fotos na web - criando seu álbum virtual

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 26

Local: Sala 5 – Mezanino 3

11.Competência em Informação - Blogs - ferramentas para disseminação da informação

Horário: das 9h as 12 h

Dias: 27

Local: Sala 5 – Mezanino 3

12.Oficina - configuração de equipamento e utilização linha index – laratec

Horário: das 14h as 17 h

Dias: 23 – 24 – 25

Local: Sala 5 – Mezanino 3

13.Oficina de Cordel - Fundação Bradesco

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 25

Local: Sala 4 – Mezanino 3

14.Origami - Fundação Bradesco

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 26

Local: Sala 6 – Mezanino 3

15.Desenho e Pintura - Fundação Bradesco

Horário: das 9h as 12 h ou das 14h às 17h

Dias: 26

Local: Sala 4 – Mezanino 3

APRESENTAÇÃO CULTURAL

Horário: 21h30

Local: Teatro de Arena

Dia 20: Silvério Pessoa

Dia 21: Adeildo Vieira Homenagem a Lúcio Lins

Dia 23: Urso amigo Batucada + Cabruêra

Dia 24: Nação Maracahyba + Kenedy Costa Homenagem a Jackson do Pandeiro

Dia 25: Aruenda da Saudade + Patrícia Moreira show francés cole café

Dia 26: Paraiba Dixieland + Toninho Borbo

Dia 27: Beto Brito

Dia 28: Tarancón

8.11.10

Morre o psicanalista Luís Martinho Maia



A terra dos homens fica sempre mais empobrecida quando ao cumprir o inexorável momento da validade orgânica, alguém retorna ao pó. Nesse instante, a terra, que não mais necessita ser dos homens, engolfa em suas entranhas os componentes do que é corpo sem vida. Mais modernamente, o ato crematório, encurta o caminho lento da decomposição através da terra, e, volatiliza o que fora casca, habitáculo da vida, ou, segundo alguns, o templo da alma. Resta-nos cinzas.
Imaginem o homem plantado como estacas na superfície da terra. Estacas equidistantes de outras tantas, sem a necessidade de possuir o sustentáculo de raízes; apenas fincadas, sem que qualquer delas interferisse na existência de cada outra. Estacas estáticas, embora olhantes, escutantes e pensantes, até onde a visão não se revelasse míope, para perscrutar o mais além. Estaria assim, o homem-estaca, inabilitado a procriar, bem como a ter intercessão, toque, ou atitude relacional com os seus semelhantes.
O poeta Vinícius de Morais, em um dos seus versos que virou canção, pergunta a Deus: Escute amigo. Se foi para desfazer, por que é que fez?
Trilhando o caminho da sua inquietação irreverente, imaginei o homem-estaca, com o propósito de livrar-lhe da dor da vida de relação.
Luís Maia, ou apenas Maia para alguns, dedicou-se como ninguém, ao estudo, à pesquisa, à transmissão do conhecimento e ao cuidado deste homem já nascido com a perspectiva da morte, e, dado a viver sob os efeitos das suas relações mais primitivas com o mundo.
Esse mister, muito mais do que o de várias profissões dedicadas ao cuidado e à promoção humana, longe das glórias cirúrgicas, e das poções químicas, que, em sua maior parte, logo fazem aflorar os efeitos, é silencioso, discreto, constante e em grande parte subterrâneo. Contudo, produz não só um efeito terapêutico para a alma humana; leva consigo a possibilidade de melhor viver em um sentido amplo e permanente.
Fui por longos anos cliente e analisando de Maia. Isso data da época em que decidi-me a tal, por orientação do meu mestre e amigo, o professor Dr. José Fernandes Pontes, que me introduzira na medicina psicossomática, e que, incentivara a nos valermos da ferramenta do autoconhecimento, representada pela psicanálise. Essa realidade me propiciou exercer uma medicina mais resolutiva, mais consonante com a feição humana e com o próprio imbricamento bio-psico-social, inerente aos modos de viver e de adoecer.
Neste momento da sua morte, revelo o enlutamento pessoal causado pela sua ausência. Do mesmo modo que o processo psicanalítico transcende na maioria das ocasiões ao cenário analítico, se perpetuando; creio que, mutatis mutandi, a presença de Maia se eternizará entre nós.
Expresso nessas linhas dirigidas à sua memória, o meu apreço à grandiosidade da sua companheira, a psicanalista Henriqueta, e aos seus queridos filhos. Minha gratidão e a consciência de que, quem sente saudades, nunca está sozinho, tem o carinho da recordação. Todos vocês e nós, guardaremos a lembrança de um homem competente, digno e bom.

28.10.10

Niemeyer, nosso arquiteto.

Os sóis não lhe ultrapassam

    [menino de cento e dois anos]
você se ombreou com o tempo,
sua palavra, sua dignidade,
amor às gentes,
traços do eterno
sempre foi rega,
onde o chão esturricou.

Waldir Pedrosa Amorim

15.10.10

Julgamento em Notre Dame - Mais um primor ficcional do escritor Heitor Rosa.



















Receber um presente é sempre algo prazeroso. Imaginem vocês, se lhes chega às mãos um novo livro de um escritor por quem se nutre admiração, por se haver lido, creio, que a maior parte de a sua obra.
Eis que um correio, diverso do eletrônico, me propõe às mãos, aos olhos e à inteligência, um volume de 245 páginas, editado pela Livro Novo, obra do meu querido amigo e até médico como eu, Heitor Rosa. Já o aguardara, como promessa pronunciada em nossos encontros, pelos corredores nada médicos, das nossas conversas, durante vários congressos de hepatologia.
Certa vez Heitor me confidenciara ter viajado a Paris e seus arredores, lá se enclausurado na pesquisa de uma ficção histórica remontando a medicina no século XVI. Conhecedor do seu rigor metodológico, que respinga nos fóruns médicos e docentes, da sua imaginação interpretativa e criadora sobre a realidade e do seu estilo saboroso de escrever, foi difícil conter a fase cefálica da minha digestão, sem salivar, ao desembrulhar o pacote que me enviara com a espirituosa dedicatória: lembrança da minha viagem na idade média, para ser lida na meia idade.
Não me cabe fazer qualquer crítica literária sobre o belo livro Julgamento em Notre Dame - A saga de uma médica do Século XIV. Para que se preparem para o desejo de experimentar os seus deleites, dizer que se situa num tempo, em que as mulheres eram proibidas de exercer a medicina. A saga feminina, desenrolada na idade média, e, abordando a arte e a ciência do cuidado do outro, há de contaminar o leitor mais exigente, não com uma obra de per se apenas palatável, como várias obras ficcionais categorizadas como romance latu sensu.
A ficção histórica presente na obra remete-nos ao aprendizado da própria história, através, nada menos que, o livro vivo que a concebeu de modo responsável e profundo; o seu autor. Roubo as palavras de Rubem Alves, na contracapa do livro: Eu sempre sonhei que a história deveria ser ensinada através da literatura. Ao ficcionista de boa lavra, este pensamento complementa o dito por Oscar Wilde: A única coisa que devemos à história é a tarefa de reescrevê-la. Ao ler a boa ficção histórica, percebemos por meio dos sentidos, estarmos adentrando a história escrita por metonímia. Assim a arte, também na literatura; gotejando atemporalidade ao passado reducionista.
Nutro uma especial predileção pelo filósofo Walter Benjamim, a quem recomendaria aos contemporâneos, alguma leitura da sua densa obra. Pinço esse trecho, que tudo tem com o antes mencionado:
Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi
respirado antes? Não existem, nas vozes que
escutamos, ecos das vozes que emudeceram? Não
têm as mulheres que cortejamos, irmãs, que elas não
chegaram a conhecer? Se é assim, existe um encontro
marcado entre as gerações precedentes e a nossa.
Fico feliz e desejo repartir com outros, o contentamento, que, ler um bom livro encerra. Vida e arte frutífera, ao médico e também ficcionista Heitor Rosa.  

Neste mês a Orquestra Sinfônica de Sergipe realiza mais um concerto na Catedral Metropolitana de Aracaju.

SÉRIE CONCERTOS NA CATEDRAL

Neste mês a Orquestra Sinfônica de Sergipe realiza mais um concerto na Catedral Metropolitana de Aracaju. Este evento faz parte de uma série realizada em parceria com a Arquidiocese e a Secretaria de Estado da Cultura. Essas apresentações começaram em 2007, com a celebração da Missa da Coroação de W. A. Mozart. Desde então, em todos os anos são realizados em média cinco apresentações na Catedral e todos os sergipanos são presenteados com concertos inesquecíveis, dentro daquela que se tornou uma referência arquitetônica e turística na cidade. Grandes personagens da música se apresentaram nessa igreja com a ORSSE, Helder Trefzger, Santiago Aldana, Marília Teixeira e jovens solistas da nossa orquestra.
Para o maestro Guilherme Mannis, diretor artístico e regente titular da ORSSE, a realização desses concertos na Catedral é sempre uma experiência única para a formação. “A acústica é diferente, mais reverberante, o que faz com que os músicos tenham de se adaptar rapidamente a um cenário musical diferente do Teatro Tobias Barreto. Além disso, o ambiente de resplendor da Catedral fornece ao concerto um aspecto especial. Todas as nossas apresentações nesse espaço foram marcantes e inesquecíveis”, lembra.
E para este concerto a orquestra traz um repertório arrebatador, cheio de sentimentos e emoções, que vão do apaixonado Wagner, em Idílio de Siegfried, composto como presente de aniversário à sua esposa, ao brincalhão Mozart na abertura da ópera Cosí Fan Tutte, culminando no heróico e triunfante Tchaikovsky, cuja Sinfonia de número 2 também conhecida como Pequena Rússia, está cheia de temas folclóricos russos e passagens vibrantes, de difícil execução, que será brilhantemente apresentada pela Orsse.
A regência da Orquestra está a cargo do seu titular, maestro Guilherme Mannis.
A entrada é franca.
______________________________________________

Série Concertos na Catedral
Catedral Metropolitana de Aracaju
Sexta feira, 08/10/2010 19h
Entrada Franca
GUILHERME MANNIS, regente
Programa:                                                                      
Wolfgang Amadeus MOZART
Cosí fan Tutte KV 588
Abertura

Richard WAGNER
O Idílio de Siegfried

Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY
Sinfonia n° 2 “Pequena Rússia” Op. 17
I.             Andante sostenuto – Allegro vivo
II.            Andantino marziale, quasi moderato
III.          Scherzo — Allegro molto vivace
IV.          Finale — Moderato assai – Allegro vivo

--
Anabel Vieira / Salete Martins / Adriana Lima/ Dirlene Almeida
Assessoria de Produção - ORSSE
Ano 2010 - 4ª Temporada
55 79 3179 1480
55 79 3179-1491



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Anabel Vieira / Salete Martins / Adriana Lima/ Dirlene Almeida
Assessoria de Produção - ORSSE
Ano 2010 - 4ª Temporada
55 79 3179 1480
55 79 3179-1491

14.10.10

Diatribe Paulistana - do Blog do Mino


Talvez alguns se perguntem por qual razão reproduzo esta postagem de 2008, que colho do Blog do Mino Carta. Minha resposta sincera é que casualmente, retornei ontem da capital paulista, com uma nostalgia que encontrou guarida nessa reflexão, escrita com a precisão micro-cirúrgica peculiar a este editor de Carta Capital, que, aprendi a admirar através dos vários semanários, que como Midas, fez ter sucesso entre leitores ávidos por boa qualidade da informação e da opinião jornalística. Hoje, das revistas semanais sérias, recorro à sua Carta Capital, como a única fonte que preserva o respeito pelo ledor. Todos sabem que Mino Carta vai além de ser um grande jornalista, é dono de um fervor invejável pela cultura, um artista plástico importante e dou-me ao direito de considerá-lo um paulistano e brasileiro patriota, no único sentido que esta acepção deveria encerrar. Retornei à minha morada em João Pessoa, ontem, nostálgico sim, com a São Paulo que outrora habitei e vez por outra revisito. Moram na maioria das razões do seu texto, as mesmas razões que me desalentam.




Diatribe paulistana

Blog do Mino: "18/03/2008 13:27

Meu caro Antonio Carlos Viard, São Paulo é o recanto mais reacionário do Brasil, concordo plenamente. Sou um genovês paulistano porque de certa forma me acostumei. Mas a cidade mudou demais, aquela que conheci em agosto de 1946 era muito diferente, embora a semeadura da arrogância, a retórica da “locomotiva do Brasil” e da “metrópole que mais cresce no mundo” começassem a deslanchar. Eu era muito menino, não percebi. Um livro muito interessante, “Orfeu Extático na Metrópole”, de Nicolau Sevcenko, conta essa história e localiza o momento em que a terra das grandes greves organizadas pelos anarquistas e pelos socialistas sucumbiu diante da prepotência dos senhores de café e da indústria nascente. Início dos anos 20. Além do mais, São Paulo é feia, cada vez mais feia, e monstruosamente desigual. O atual prefeito Kassab esmera-se para tirar os postes da Oscar Freire, a rua das grifes, ou de refazer as calçadas da Avenida Paulista, enquanto a periferia, e até áreas menos plebéias, não têm esgoto e galerias de águas pluviais. Sem contar a presença avassaladora de um esgoto ao ar livre representado pelos rios Pinheiros e Tietê. De caso pensado, os donos do poder paulistano cuidaram de racionar os espaços públicos até a penúria absoluta. Houve tempo em que os habitantes iam ao aeroporto de Congonhas e, deleitados, entregavam-se à sublime diversão proporcionada por aviões que pousam e levantam vôo. Hoje vão aos shoppings, movidos pela sanha consumista, ignaros e manipulados, a desconhecerem a importância da praça onde o povo discute e enfrenta os problemas coletivos. E os senhores, cheios de empáfia provinciana na exposição de falsos refinamentos? Freqüentam a Daslu e a Expand, reúnem-se em happy hours clangorosos e pelos restaurantes de uma ridícula “capital gastronômica do mundo” onde é muito difícil comer bem, e pronunciam frases feitas, lugares comuns e banalidades, aprendidos na leitura do Estadão, da Folha, da Veja e de Caras.
Fonte: http://blogdomino.blig.ig.com.br/2008/03/diatribe-paulistana.html

– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

28.9.10

AS SANTINHAS DE PAU OCO - ESCULTURAS EM PAPEL MACHÉ - EXPOSIÇÃO

Aninha convida para a sua mais nova exposição
De  01/10 a 17/10
Hora 10:00 às 21:00 h.
Local: Estação Ciência (Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes) no Altiplano Cabo Branco Fone:83- 3214 8303.
O coquetel de abertura será no dia 01/10/2010, das 19h às 21h. 

14.9.10

3 Lugares Diferentes - Exposição Coletiva - Daniel de Melo Andrade, Heitor Pontes e Mariana Belém

Abertura da exposição coletiva "3 Lugares Diferentes",

composta por trabalhos de Daniel de Melo Andrade, Heitor Pontes e Mariana Belém.


Acontecerá no próximo dia15 de setembro de 2010, às 19h,
No Espaço Muda, Rua do Lima, 180, Santo Amaro, Recife.

Para celebrarmos juntos, acontecerá também Show de Gaspar Andrade e discotecagem das Toomini dj's. 

Curadoria: Maria Eduarda Belém
Fotografia: Marcelo Lyra
Design gráfico do cartaz: Mazoh

:: Coletiva 3 lugares diferentes | Flickr – Compartilhamento de fotos!

:: Coletiva 3 lugares diferentes | Flickr – Compartilhamento de fotos!: "– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

13.9.10

About me - por João Duques de Amorim

About João

Life is one big road
With alot of signs and turns and twist and curves
Even though the road is rocky
But maintain to ride and keep on rockin
From, city to city backyard to yard
And we, be seein the cites standin under the lights
And the spot is hot it's cold and lonely at nights
And I'm feelin' and I'm dreamin' and I'm holdin' you tight
But hold on, every single road I rode on
Come to an end and I'm back home again



30.8.10

Flávio Venturin i- Clube da Esquina II

silvapatriota | December 05, 2008

Por que se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço....

Por que se chamava homem
Também se chamava sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogênios
Ficam calmos, calmos

E lá se vai mais um dia

E basta contar compasso
e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio...

E o Rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente,
gente, gente...



22.8.10

Fotografia

Fotografia

Na era do umbigo
tornamos baços
o olhar sensível,
lavor da estética.

De raro em raro
assestamos a mira
ao invólucro,
entorno da existência.

A câmera e lente
não se auto-refletem,
dão-se ao uso, captam
como se capturassem
o inconsciente.

Fotogramas fixos
assentados na intenção
de um casulo feito crisálida,
são oníricos e reveladores
e o ao redor, os lados,
o abaixo, acima,
o detalhe e o dentro dele
grita, reverbera em silêncio,
provoca, modifica.
Relembrança estética compartida
é tudo isso
a arte sintética
da fotografia.


Poema de autoria de Waldir Pedrosa Amorim
Visite meu Álbum de Fotos no Flickr clicando no link abaixo:
http://www.flickr.com/photos/25502097@N07/sets/72157621111547403/

4.6.10

CANÇÃO DE BERÇO

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



O AMOR não tem importância.
No tempo de você, criança,
uma simples gota de óleo
povoará o mundo por inoculação,
e o espasmo
(longo demais para ser feliz)
não mais dissolverá as nossas carnes.

Mas também a carne não tem importância.
E doer, gozar, o próprio cântico afinal é indiferente.
Quinhentos mil chineses mortos, trezentos corpos de namorados
[sobre a via férrea
e o trem que passa, como um discurso, irreparável:
tudo, acontece, menina,
e não é importante, menina,
e nada fica nos teus olhos.

Também a vida é sem importância.
Os homens não me repetem
nem me prolongo até eles.
A vida é tênue, tênue.
O grito mais alto ainda é suspiro,
os oceanos calaram-se há muito.
Em tua boca, menina,
ficou o gosto de leite?
ficará o gosto de álcool?

Os beijos não são importantes.
No teu tempo nem haverá beijos.
Os lábios serão metálicos,
civil,e mais nada, será o amor
dos indivíduos perdidos na massa
e só uma estrela
guardará o reflexo
do mundo esvaído
(aliás sem importância.)

in:Carlos Drummond de Andrade Poesia e Prosa, Biblioteca Luso Brasileira - Série Brasileira - Editora Nova Aguilar,1983 volume único, organizado pelo autor. Paginas 127:128

17.2.10

Em mim, carnaval. No amor, a matéria da alegria e da dor. No passista, os ritos de despedida.

Waldir Pedrosa Amorim


Herdei a paixão advinda de meu pai e nossa parentela, pelo carnaval pernambucano. Desde a minha tenra infância até os tempos de hoje, prossigo vivendo com variada intensidade os carnavais do Recife. Aliás, brinco, brinquei e, enquanto meus joelhos permitirem, brincarei os carnavais da terra na qual, mais do que apenas nasci. Transmiti naturalmente este legado cultural e este gosto, aos meus três filhos, e espero, junto com eles, poder transmiti-los aos meus netos.

Com incontida alegria, trouxe para a minha primeira netinha, Beatriz, bugigangas mercadas nos dias de carnaval. Dá prazer, observar pelas ruas da cidade antiga, muitos pequeninos trazidos pelos pais, para a partilha da alegria, desta inusitada festa popular, arrebatadora de multidões. É desta petizada a fiança de imortalidade das tradições artístico culturais de uma gente.

Brincar carnaval.

Brincar, é palavra exata e delineadora da magia que me assoma e aos que ali se encontram, imagino. Não é dançar, frevar, pular, desfilar, assistir, sapatear, vestir fantasia, nem mesmo cantar, jogar confetes, serpentinas, ou tão somente tomar um pifão, o que tempera o carnaval de Pernambuco. Brincar carnaval é um elo não corrompido entre o estar criança, a folie dita loucura e, uma outra folia, capaz de transmitir em o nosso idioma, mais que os festejos animados ou genericamente qualquer festa. Brincar o carnaval, é expressão unicamente apropriada para ladrilhar a conotação da folia carnavalesca em Pernambuco. Contemporizam-se nesse folião, imagens e coisas como; um desejo ardente, a lúdica e brincante possibilidade da irrealidade; ressaibos generosos de promessa, de regresso sazonal; retempero de altivez, auto-estima, confraternidade.

Permito-me escrutinar algo a mais... Ouvindo o Bloco da Saudade a cantar, identifico comovido; carinho na recordação, obstinação na saudade.

Ingredientes ternos, sazonalmente repisados em braços dados com a frágil e insistente humanidade passista e passante, atrás de algum bloco e estandarte de um carnaval.