5.11.09

ÚLTIMA TEMPORADA DO ESPETÁCULO QUEBRA-QUILOS


O COLETIVO DE TEATRO ALFENIM realiza no período de 31 DE OUTUBRO A 29 DE NOVEMBRO a última temporada do espetáculo QUEBRA-QUILOS, no TEATRO ARIANO SUASSUNA, sempre aos SÁBADOS E DOMINGOS, A PARTIR DAS 20H, para um público de 50 pessoas por apresentação.
INGRESSO: R$ 10,00 e R$ 5,00

Sob a direção do dramaturgo Márcio Marciano, o espetáculo já foi visto por mais de 6 mil pessoas em todo o Brasil desde sua primeira apresentação em 2008. De lá pra cá, participou como convidado dos principais festivais e mostras de teatro do Nordeste, a exemplo da Mostra SESC de Teatro do Cariri, Festival de Inverno de Garanhuns, Festival do Teatro Nacional de Recife e Festival de Teatro de Guaramiranga.
Em 2009, o Quebra-Quilos esteve em temporada no Teatro da Caixa Cultural de Brasília e Rio de Janeiro. Também representou a Paraíba na Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, realizada em São Paulo pela Cooperativa Paulista de Teatro. O Quebra-Quilos marca a criação do Coletivo Alfenim de Teatro e a atuação de Márcio Marciano no teatro paraibano. Egresso e um dos fundadores da Cia. Do Latão, Marciano traz à João Pessoa a experiência da sala de ensaio e de uma construção coletiva do texto dramatúrgico.
E é devido a isso que algumas mudanças vêm acontecendo no espetáculo desde 2007. Para os que assistiram a primeira temporada, realizada na Piollin, há várias novidades para se ver em cena com a entrada de novos atores no elenco, e consequentemente, novos tons e novas cenas compõem o Quebra-quilos hoje.
“A entrada de novos atores permitiu uma releitura mais ácida do texto. Isso se deu por alguns fatores. Primeiro, os atores que entraram: Adriano Cabral, Fernanda Ferreira e Ana Marinho já conheciam o espetáculo e trouxeram sua visão sobre as personagens”, observa Marciano e completa: “Eu diria que eles fizeram uma interpretação mais aprofundada das relações que estão em jogo porque tiveram condições de analisar a obra num primeiro momento apenas como espectadores críticos”. Marciano afirma ainda que outro fato importante a ser observado nestas mudanças é que tanto ele enquanto diretor, quanto os demais atores do elenco já tem um distanciamento maior da dramaturgia que foi criada em sala de ensaio num processo onde a encenação está ainda muito colada às improvisações. “E esse distanciamento de quase dois anos do processo de criação foi o que permitiu uma leitura mais complexa do que havíamos criado”, conclui.

SOBRE O ESPETÁCULO:

Quebra-Quilos narra a história de duas mulheres que são tangidas do campo e obrigadas a procurar abrigo numa vila do sertão paraibano, nas proximidades de Campina Grande, em fins de 1874. Existem rumores de que os quebra-quilos, sediciosos que se opõem à implantação do sistema métrico decimal, preparam-se para invadir a feira da localidade com o intuito de destruir os padrões de aferição. Tropas da Guarda Nacional estão de prontidão. Mãe e filha serão testemunhas e vítimas da violência das autoridades locais contra os matutos revoltosos, que tentam comerciar na feira o produto de suas pequenas lavouras.
Grupo reúne três gerações do Teatro Paraibano Márcio Marciano vem de uma bem sucedida experiência de dez anos na Companhia do Latão, de São Paulo. Dando continuidade ao processo de pesquisa para a criação de uma dramaturgia própria sobre assuntos brasileiros, o dramaturgo reuniu três gerações de atores paraibanos para formar o Coletivo de Teatro Alfenim.
Além dos representantes da nova geração, Daniel Porpino e Fernanda Ferreira, o grupo tem a participação de Adriano Cabral, Daniel Araújo, Ana Marinho e Verônica Souza. Completam o elenco dois nomes que são referência no teatro paraibano, Sôia Lira (“Central do Brasil”) e Zezita Matos (“O Céu de Sueli”), que comemora com o Quebra- Quilos 50 anos ininterruptos de palco. As duas atrizes se encontram em cena como mãe e filha, mulheres que, em fins do
século XIX, são obrigadas a abandonar o lugar em que vivem por determinação do proprietário das terras, um senhor de engenho às voltas com a modernização do sistema açucareiro. “Estamos no tempo da implantação do sistema métrico decimal, em meio à revolta popular contra os novos pesos e medidas. Mãe e filha serão arrastadas pela ação espontânea dos matutos alcunhados quebra-quilos, e sofrerão a seu lado a brutalidade com que as autoridades locais farão valer a ordem do Império em franca decadência”, finaliza Márcio Marciano.

Quebra-Quilos - Localização histórica

Nos termos do historiador Armando Souto Maior o movimento dos “quebra-quilos” “poderia ser classificado como uma forma primitiva ou arcaica de agitação social (...) mais que um tumulto e menos que uma revolta quase articulada”. Entender as razões dessa convulsão nos estertores do Império possibilita reconhecer em que medida suas causas foram ou não superadas na atualidade. Basta abrir os jornais para percebermos que as matrizes da revolta popular que acendeu o sertão da Paraíba podem ter mudado de aspecto, mas não se alteraram em sua essência: o que dizer dos novos criminosos sociais, confundidos com criminosos comuns, que aterrorizam o cidadão seja da grande cidade, seja do recanto mais isolado do sertão? O espetáculo, entretanto, não se justificaria se almejasse exclusivamente uma formulação sociológica do problema “Quebra-quilos”. A nós interessa a matéria humana pulsante sob os acontecimentos de caráter social, ainda que ambos os aspectos, o social e o individual só possam ser identificados em sua expressão mais autêntica enquanto faces que se interpenetram dialeticamente. É do confronto entre a subjetividade e os fatores objetivos que nasce a compreensão das causas desses acontecimentos e possibilita a apreciação crítica de suas conseqüências históricas. Aí reside uma das fontes de interesse do projeto: identificar na trajetória dos indivíduos envolvidos naquele movimento a presença das contradições que marcam a história da Paraíba, de modo a perceber se e como essas trajetórias diferem ou se assemelham à nossa própria trajetória na contemporaneidade. Afinal, somos parte desse processo de formação do sujeito, não apenas paraibano como também nordestino e brasileiro. Outro aspecto relevante é o fato de o período em tela dar notícia da insatisfação popular em relação à implantação pela força do sistema métrico decimal. O modo pelo qual a mentalidade da época se relaciona com essas transformações, impostas pelo Estado por conta de sua adesão involuntária às orientações do capital internacional parece retirado das páginas dos jornais da atualidade. Esse alto teor de sugestão simbólica põe a narrativa desses fatos ocorridos em fins do século XIX na ordem do dia. Isso sem falar de outros tantos pontos de contato com a atualidade como a insatisfação devida ao aumento excessivo e irrealista dos impostos, a manipulação da boa-fé do sertanejo, tanto por parte das autoridades do governo imperial como por parte das autoridades religiosas locais e dos grandes proprietários e, principalmente, a potencial violência que transforma os alijados do mundo produtivo em criminosos sociais.


FICHA TÉCNICA:
Elenco: Adriano Cabral, Daniel Araújo, Daniel Porpino, Fernanda Ferreira, Sôia Lira (e
Ana Marinho), Verônica Souza, Zezita Matos.
Texto e direção: Márcio Marciano
Direção musical: Marco França
Cenário: Márcio Marciano
Figurinos: Maurício Germano
Iluminação: Márcio Marciano
Consultoria de encenação: Fernando Yamamoto
Produção executiva: Humberto Dias
Duração: 80 minutos.
Recomendação: Maiores de 14 anos.

3.11.09

Poerner chega aos 70 no fundo da noite do Leme


O escritor e jornalista Arthur Poerner resolveu comemorar a chegada aos 70 anos, cantando o seu bairro.
Leme: viagem no tempo ao fundo da noite será lançado, com coquetel, no próximo dia 9 de novembro, segunda-feira, a partir das 19h, na Fiorentina, à Av. Atlântica, 458 (2543-8395), a cantina que foi, durante décadas, o principal ponto de encontro dos artistas e intelectuais no Rio de Janeiro. O livro é uma versão atualizada, ilustrada e bastante ampliada da primeira edição, publicada em 1998, sob o patrocínio do RioArte, pela Relume Dumará, na coleção Cantos do Rio, que reuniu bairros e escritores como, entre outros, Lagoa (Carlos Heitor Cony), Vila Isabel (Aldir Blanc) e Cosme Velho (Cícero Sandroni). Arthur Poerner, além de escritor e jornalista, é letrista (parcerias com Baden Powell, Candeia e João do Vale) e professor de Jornalismo aposentado na UERJ. Tornou-se nacionalmente conhecido, nos anos 60, no intransigente combate – sempre por artigos jornalísticos, livros e palestras – à ditadura militar, o que lhe rendeu processos políticos, prisão, nove anos de exílio e, com apenas 26 anos, o título de mais jovem brasileiro a ter os direitos políticos suspensos por decreto presidencial, do marechal Castelo Branco. A BOOKLINK reeditou dois dos seus livros mais conhecidos: a 5ª edição de O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros e a 3ª edição brasileira do romance Nas profundas do inferno, baseado nas lembranças das torturas a que eram submetidos os presos políticos no quartel da Polícia do Exército da Rua Barão de Mesquita, no Rio, onde funcionava o DOI-Codi. O Leme expõe a face boêmia desse autor e militante político. A um bairro autenticamente carioca como o Leme não poderiam faltar características morfológicas da cidade como o morro e o asfalto, devidamente representados na apresentação do livro pelo escritor e jornalista Cícero Sandroni, que ali residiu durante 12 anos, e pelo compositor Álvaro Maciel, diretor de Cultura da Associação de Moradores do Morro da Babilônia. Leme: viagem no tempo ao fundo da noite128p. – ISBN 85-7729-085-7