14.9.09

Antônio Mariano no Café em Verso & Prosa

Dia 15, terça-feira, a partir das 20 horas, no Empório Café, em Tambaú - João Pessoa PB.

Texto de Lau Siqueira

Os anos 90 afirmaram a renovação da cena literária contemporânea aqui na Paraíba. Alguns dos expoentes da geração que começou a publicar nesse período, hoje despontam entre os nomes mais expressivos da Poesia contemporânea brasileira. Antônio Mariano é um dos principais expoentes dessa geração, atuando tanto na poesia quanto na ficção, com a mesma precisão e competência. Por outro lado, desde o projeto editorial Trema, um empreendimento que agitou a vida literária desse período, destaca-se como um dos principais articuladores da literatura nordestina. O projeto editorial Trema, por exemplo, possibilitou a publicação de poetas como Fransued do Vale, Magno Meira, José Rodrigues e Lau Siqueira, aqui na Paraíba. Acabou, também, extrapolando os limites do estado ao publicar o carioca Rodrigo de Sousa Leão. Antes disso, a biografia do poeta Antônio Mariano contou com uma passagem brilhante pelo grupo Oficina Literária, que juntamente com Tota Arcela e outros artistas, agitou culturalmente a Cidade das Acácias. Atualmente o poeta desenvolve um dos projetos literários de maior prestígio no Nordeste, O Tome Prosa, Tome Poesia. Um evento que já contou com a participação de nomes expressivos da literatura brasileira, como Sérgio de Castro Pinto, Jomard Muniz de Britto e Marco Luchesi, entre tantos outros. É também o atual editor da revista Correio das Artes, suplemento literário do Jornal A União.

Nascido em João Pessoa, em 1964, o poeta conquista com méritos próprios o seu ingresso na rica história literária da terra de José Lins do Rego e Augusto dos Anjos. Com apenas 20 anos, vencia o I Concurso de Poesia do SESC DA PARAÍBA. De lá para cá, acumulam-se feitos que fizeram de Antônio Mariano um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira contemporânea. Seu primeiro livro, O gozo insólito, data de 1991 e o segundo, Te odeio com doçura, de 1995. Ambos pela Editora Scortecci, de São Paulo. Entre os anos de 2000 e 2005, escreveu uma coluna no caderno de cultura de A União, abordando aspectos da literatura brasileira e os seus novos autores. Publicou seus poemas em veículos importantes como o Correio das Artes, Suplemento Literário de Minas Gerais, Livro da Tribo.

O ano de 2005 ficou definitivamente marcado na biografia do poeta. Sua obra despertou o interesse da Editora Lamparina, do Rio de Janeiro, que apostou em Antônio Mariano, publicando e distribuindo nacionalmente seu belo “Guarda Chuvas Esquecidos”. Assim, o poeta viu sua obra derrubando os muros do praticamente intransponível (apesar de altamente lucrativo) mercado editorial brasileiro. E com um gênero que, apesar de ser dos mais lidos, ainda é extremamente cruel com os novos autores. A biografia literária de Antônio Mariano conta com a apreciação positiva de nomes importantes da crítica literária, como Hildeberto Barbosa Filho, Nelly Novaes Coelho e de um dos poetas mais significativos da literatura de Língua Portuguesa, José Paulo Paes, que se notabilizou também como tradutor. Para o poeta gaúcho, Fabrício Carpinejar, “Antônio Mariano revela-se na extravagância e nas impurezas, no suor secreto das sobrancelhas, na investigação, na investigação passional das falhas, desilusões e desacertos do cotidiano”. Por isso mesmo se mostra como um poeta das sutilezas, da experimentação permanente e da precisão de linguagem.

No prefácio do livro Guarda Chuvas Esquecidos, o rigoroso poeta, crítico e tradutor paulistano, Cláudio Daniel é extremamente preciso em sua análise: “Mariano expõe em sua fala uma gama variada de matizes, mesclando o erudito e o popular, o sensual e o cerebral, o sério e o jocoso, sem a ilusão de obter o acabado ou perfeito, mas com o sentido ético (e estético) de buscar, sempre, ir além de si mesmo, de seu próprio dito. Esse jogo consciente com as próprias limitações e possibilidades é que define o verdadeiro poeta, aquele que ousa e arrisca, para afirmar o discurso do avesso, na contramão do fácil e do flácido (...)”. Antônio Mariano no conjunto de sua obra revela-se, sobretudo, dono de um lirismo incomum nos nossos dias. Um lirismo que extrapola suas próprias possibilidades ao escancarar-se para uma experimentação de linguagem que nada mais é que a colheita de Antônio Mariano no aprendizado com os grandes mestres da literatura. Afinal, acima de tudo o poeta revela-se um leitor afiado dos clássicos e das vanguardas, sem preconceitos estéticos de espécie alguma. Disso tudo surge uma literatura que confere ao leitor a gratificação de se portar como agente de uma interatividade fundamental para a afirmação da boa literatura através dos tempos. Desta forma, neste dia 15, terça-feira, sob a coordenação da atriz e performista paraibana Suzy Lopes, teremos uma noite agradabilíssima com a presença da poesia deste grande poeta, investido na pele do cidadão digno que é Antônio Mariano. O empório Café fica localizado na Rua Coração de Jesus, 129, por trás da Ferinha de Artesanato de Tambaú.