21.2.08

Clube do Conto da Paraíba recebe no dia 23/02 a escritora Rosângela Vieira Rocha.


No próximo sábado, às 18 hs, o Clube do Conto da Paraíba, (no terraço da Associação dos Bancários, na Praça da Paz) receberá a escritora Rosângela Vieira Rocha para um bate-papo sobre criação literária. O evento é aberto aos interessados e aos integrantes do Clube do Conto.



A escritora Rosângela Vieira Rocha, mineira de Inhapim, vive em Brasília desde 1968, mas tendo vivido longos períodos em São Paulo, em Pamplona (Espanha) e em Salvador
da Bahia. É atualmente professora do Departamento de Jornalismo da UnB, onde ministra Oficina de Texto e Oficina Avançada de Narrativas para alunos de todas as habilitações do Curso de Comunicação.
Participa atualmente da criação de um grupo de articulação
de escritores brasilienses.

Obras de ficção publicadas:

VÉSPERA DE LUA – Belo Horizonte, Ed. UFMG
Romance vencedor do Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG 1988, tratando a busca da identidade feminina através da metáfora da menstruação que denuncia, a nível
corporal, a tensão e o conflito numa relação homossexual.


RIO DAS PEDRAS - Brasília, Secretaria de Cultura do DF, 2002
Novela vencedora da Bolsa Brasília de Produção Literária 2001, da Secr. de Cultura do DF, entre outros prêmios, conta a trajetória de uma
mulher da meninice à idade adulta, e sua luta no processo de construção de si mesma, em linguagem lírica e intimista, com boas doses de humor.

PUPILAS OVAIS - Brasília, FAC/LGE Editora
Os treze contos tratam, em
sua maioria, do universo feminino, sem porém nenhum tom reivindicativo. Com lirismo, dor e riso, al;em de detalhes precisos de costumes, a autora reconstitui sua pequena e essencial Inhapim e explora o mundo das metrópoles com igual talento
.

PARTICIPA AINDA DAS COLETÂNEAS DE CONTOS:

antologia do conto brasiliense (org. Ronaldo Cagiano) Brasília: Projecto Editorial/Livraria Suspensa, 2004
mais 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura
brasileira (org. Luiz Ruffato) Rio de Janeiro, Ed. Record, 2005
Todas as gerações; o conto brasiliense contemporâneo. (Org. Ronaldo Cagiano). Brasília: LGE ed. 2006

18.2.08

Casamento



Adélia Prado


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.



* A escritora Adélia Prado nasceu em dezembro de 1935 em Divinópolis, interior de Minas Gerais. Vive na cidade até hoje. “Adoro lugares pequenos. Divinópolis é a minha Macondo”, afirma, citando a cidade que o Nobel de Literatura, o colombiano Gabriel Garcia Márques, criou em Cem Anos de Solidão. A autora brasileira publicou seu primeiro livro de poesias, Bagagem, em 1976, já mulher madura. Tem sua obra traduzida para o inglês e o espanhol e experimentou grande sucesso com a adaptação de textos para o teatro, como o espetáculo Dona Doida, protagonizado pela atriz Fernanda Montenegro, nos anos 80.

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