14.1.07

A HISTÓRIA DO CLUBE DO CONTO DA PARAÍBA Segundo Dora Limeira.


PRIMEIRO CAPÍTULO -

Tudo começou quando o poeta Antônio Mariano criou a lista de contistas na internet e nos convidou para participar. Na lista, conversa vai, conversa vem, MValéria Rezende dizia que mora atrás do shopping sul. Ainda através da lista, eu dizia que moro bem pertinho, que às tardinhas eu costumo tomar cafezinho no shopping. Daí que Valéria dizia: "Ah, Dôra, quem sabe tomamos cafezinho toda tardinha sempre em mesas vizinhas sem nos conhecer!" Através da lista, marcamos encontro, eu e ela naquele mesmo dia, à tardinha, para nos conhecer. Essa foi a primeira idéia nova: extrapolar o virtual para um encontro presencial. Daí que, olho no olho, conversamos muito, tomamos muito cafezinho, muito chocolate, compartilhamos coisas que escrevemos, nossos métodos ou modos de criar, facilidades, dificuldades, a solidão do ato de escrever, a falta de partilhamento, e por aí vai. Daí trocamos a seguinte idéia: E se?...

SEGUNDO CAPÍTULO -

E se?E se pudéssemos reunir o pessoal da lista para umas conversas informais nos finais de tarde dos sábados? Os encontros poderiam acontecer ao redor de uma mesa do Cafézinho. Dito e feito. Primeiro veio Mariano, depois André Ricardo Aguiar, eu, Valéria, depois chegou Dira Vieira. Eu ainda nem conhecia Dira pessoalmente. Foi uma festa. Trazíamos nas bolsas nossos contos inéditos. Marília Carneiro Arnaud também chegou. Líamos nossas histórias, nos comentávamos. Os assuntos e os contos eram aleatórios. Mais pessoas iam chegando. Barreto (Geraldo Maciel), por exemplo. A cada sábado, mais gente. Juntávamos duas mesas do cafezinho. Era uma coisa muito apertada, um pouco tumultuado devido à promiscuidade com os passantes e alguns ficantes curiosos. Muito barulho no hall do shopping, ora era dia da criança, ora era desfile de modas infantis, ora era música ao vivo lá em cima, ou baile de deficientes físicos da APAE, enfim, um barulho infernal. Pensamos em mudar de lugar. Eis outra idéia nova: mudar de lugar. E se?

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12.1.07

Rodovaldo Suarez; dos Sons da Rua em Havana ao Malecon Social Club



Clique no título e assista um vídeo de 2 minutos e 30 segundos recém editado por mim sobre o destino de um cantor cego em Havana-Cuba

Depois
Clique aquí para vê-lo e escutá-lo

Waldir Pedrosa Amorim

8.1.07

UM TEXTO EXCELENTE DO ESCRITOR RONALDO MONTE REVELA SENSIBILIDADE E PROVOCA REFLEXÃO

Pena

A internet nos convida ao exercício da necrofilia exibindo cenas da execução de Saddan Hussein. Tive pudor em assistir os detalhes do enforcamento. Limitei-me ao momento em que o verdugo passava o laço no pescoço do condenado e depois à exibição do corpo já morto envolvido em um lençol branco, o que me obrigou à comparação com uma galinha morta.Já fui ajudante na morte de muitas galinhas e sempre senti uma espécie de empatia com o bicho que se debatia até o fim para que sua vida não se esvaísse com o sangue que eu batia num prato com vinagre, premeditando a cabidela. Sou, portanto, testemunha antiga da luta de todo animal pela preservação da sua vida. Mas nem eu nem ninguém é capaz de se colocar no lugar de um condenado à morte.Entreguemos, portanto, a palavra a quem entende do assunto. Chamemos Dostoievski que foi condenado à morte em 22 de dezembro de 1849 pelo czar Nicolau I. Ele sofreu passo a passo toda a agonia dos condenados até ser desamarrado do poste onde já esperava os tiros dos fuzis, indultado pelo próprio czar. Foi dessa experiência que ele falou ao narrar todo o horror do seu personagem Míchkin, de O idiota, contando a execução de um personagem à morte:“E todavia a dor principal, a mais forte, pode não estar nos ferimentos e sim, veja, em você saber, com certeza, que dentro de uma hora, depois dentro de dez minutos, depois dentro de meio minuto, depois agora, neste instante – a alma irá voar do corpo, que você não vai mais ser uma pessoa, e que isso já é certeza; e o principal é essa certeza”. E arremata: “A morte por sentença é desproporcionalmente mais terrível que a morte cometida por bandidos. Aquele que os bandidos matam, que é esfaqueado à noite, em um bosque, ou de um jeito qualquer, ainda espera que se salvará sem falta, até o último instante... essa última esperança, com a qual é dez vezes mais fácil morrer, é abolida com certeza; aqui existe a sentença, e no fato de que com certeza não se vai fugir a ela reside todo o terrível suplício, e mais forte que esse suplício não existe nada no mundo”.Não me atrevo a dizer nada depois de Dostoievski. Quis apenas contribuir para a reflexão de cada um sobre a pena de morte. Seja a de Saddan Hussein ou de um garoto barbarizado por dever uma micharia ao narcotráfico.

Ronaldo Monte é poeta, escritor e psicanalista

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4.1.07

EU VI RAMALLAH - UM LIVRO QUE MERECE SER LIDO

Mourid Barghouti
Poeta e escritor palestino

Com a criação do Estado de Israel e a conquista da Cisjordânia e de Gaza, em 1967, os palestinos iniciaram uma batalha por um território independente.Mourid Barghouti nasceu na Palestina depois da ocupação do território por Israel e viveu um exílio de trinta anos até voltar para a terra natal. Ele nasceu em 1944, num vilarejo próximo à cidade de Ramallah.Antes um subúrbio de Jerusalém, a cidade tornou-se, nos últimos anos, o centro urbano da Palestina.No livro "Eu vi Ramallah", Barghouti relata as conseqüências da ocupação israelense na Pale stina, sob o ponto de vista de quem viveu na pele a experiência de ter que abandonar a região.Lançado no Brasil durante a Festa Literária de Parati de 2006, o livro foi recebido com grande interesse pelo mundo árabe, por tratar de um tema delicado para toda região. Formando em literatura inglesa, Mourid Barghouti atuou como representante da Organização pela Libertação da Palestina.
Seu primeiro livro em prosa, Eu vi Ramallah apresenta tons de poesia numa descrição memorialista sem ranço e plena de humanismo e veracidade.

2.1.07

De Mário Quintana, enviada por Líris Azevedo.

Lá bem no alto do décimo-segundo andar do Ano
Mora uma louca chamada Esperança:
E quando todas as buzinas fonfonam
Quando todos os reco-recos matracam
Quando tudo berra quando tudo grita quando tudo apita
A louca tapa os ouvidos
e atira-se
– Ó miraculoso vôo!
–Acorda, outra vez menina, lá embaixo, na calçada.
O povo aproxima-se, aflito
E o mais velhinho curva-se e pergunta:
- Como é o teu nome, menininha de olhos verdes?
E ela então sorri a todos eles
E lhes diz, bem devagarinho para que não esqueçam nunca:
O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...